Histórias de Moradores de São José do Rio Preto - SP

Esta página em parceria com o Museu da Pessoa é dedicada a compartilhar o acervo de vídeos e histórias com depoimentos dos Moradores.


História da Moradora: Maria Rosária Silva Callil
Local: São José do Rio Preto - SP
Ano: 10/10/2014

Vídeo: De Rio Preto para São Paulo


Sinopse:

Rosária morou em São José do Rio Preto até decidir cursar Psicologia na USP. Em seu depoimento, ela relata sua infância no interior e a juventude na capital paulista, onde sedimentou sua vida profissional, casou-se e mora até hoje.

História:

Maria Rosária Silva Callil, nasci 30 de dezembro de 1960, em São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Eu nasci, assim, numa casa no centro da cidade, os meus pais moravam no centro da cidade de São José do Rio Preto. A história do meu nascimento também é uma história um tanto quanto pitoresca, assim, digamos, porque minha mãe teve todos os filhos em casa, né? O meu pai saiu de casa de madrugada e foi chamar a parteira. Só que aí não deu tempo, eu acabei nascendo antes dele chegar, antes dele voltar com a parteira. E aí a minha mãe conta que fiquei eu, ela e eu ali na cama, né, esperando a parteira chegar pra cortar o cordão. E aí até eu sempre falava com ela que eu achava que, por conta dessa demora nesse corte nesse cordão, eu tinha um vínculo muito forte com ela (choro). Eu sempre tive uma ligação muito forte com ela, muito.

Eu nasci nesse bairro, que ficava próximo ao centro da cidade, né, era uma rua bem movimentada ali da cidade. Eu não podia sair pra rua, porque tinha muito trânsito. Então eu olhava, eu me lembro, assim, de criança olhando a rua pelo portão. Aos cinco anos, meus pais compraram uma casa num bairro distante, bem afastado do centro da cidade. As ruas eram de terra, as casas eram todas, tinham quintais grandes, né, as crianças podiam brincar na rua. Aí nesse bairro eu fiz muita amizade, né, tinha os amigos, tinha as amigas, e amigos que até tenho até hoje: íamos pra escola juntos, né, passávamos no meio de campos com gado, cachorros. Era assim, parecia um sítio mesmo, mas pra mim tudo isso era uma festa, eu adorava tudo isso.

Quando eu cheguei no colegial aí eu comecei a mudar um pouco. Fui fazer o colegial comum, que era o colegial já preparatório pro vestibular. E aí eu decidi que eu queria fazer Psicologia, abortei um pouco a ideia de ser professora, de querer ser professora, e decidi que queria fazer o curso de Psicologia. Então já comecei a me preparar. Fui fazer o colegial, depois, no terceiro colegial fui fazer o colegial e o cursinho no Objetivo pra prestar o vestibular pra Psicologia. No final do terceiro colegial eu fiz o vestibular pra Psicologia. Em 78 eu entrei na faculdade aqui, vim, passei a morar aqui e vim estudar aqui. Foi bem difícil, porque eu estava acostumada, tinha tudo lá na casa dos meus pais, nem dava muito valor, né, principalmente pra comida pronta. Eu acho que a comida pronta foi o maior impacto, né? Quando eu cheguei aqui, que eu tinha que, se eu quisesse comer eu tinha que fazer minha comida. E aqui, assim, a primeira vez que eu fui pra faculdade eu me perdi, eu fiquei rodando umas duas, três horas pra chegar, então isso tudo me assustava muito no começo. Às vezes eu tinha vontade de desistir, de voltar, mas eu fui perseverante, eu teimava, falava: “Não, eu tenho que conseguir”. Eu pensava assim, que a cidade oferecia muitas coisas, muita, mas que pra mim, assim, o acesso era complicado. Era complicado porque eu precisava de dinheiro pra poder acessar tudo isso, né? Eu não tinha conhecimento, eu não sei se na época... Porque, assim, eu sei que hoje existe muita oferta, assim, gratuita, existe muita coisa, muito museu que às vezes é gratuito, mas naquela época não tinha muito conhecimento disso, né?

Eu conheci meu marido um ano antes de eu vir pra São Paulo, eu o conheci em Santos. Eu tinha 16 anos. Eu tinha ido passar férias com a minha amiga, minha amiga de infância, que morava do lado da minha casa lá em Rio Preto, e nós passamos um mês lá em Santos. Mas depois eu voltei pra minha cidade, voltei pra Rio Preto, ele voltou aqui pra São Paulo, e eu nem imaginava que eu fosse encontrar de novo com ele, né? Quando eu vim morar aqui em 78, ele não entrou na faculdade, ele estava prestando Faculdade de Engenharia, e ele não passou no vestibular. Aí a mãe dele, como ele era, era um moleque, um molecão também de 17 anos, assim, aí a mãe dele fez uma pressão e disse que ele não podia, ele tinha que estudar, ele tinha que pegar muito firme nos estudos pra poder entrar na faculdade, tal, e que ele não podia namorar, aquelas coisas de mãe. Ele acabou terminando o namoro comigo, porque ele tinha que se dedicar pros estudos e pra mim foi uma tristeza, né? Porque, além de eu estar numa cidade sozinha, que eu mal conhecia, também não contava muito com ele. Só que, assim, apesar da gente ter terminado o namoro, ele continuou sempre encontrando. A gente mesmo assim se encontrava, ele ia aonde eu morava, a gente continuou se encontrando, tudo, não namorava, mas se encontrava. E quando ele entrou na faculdade no meio do ano, em julho ele entrou na faculdade de Engenharia, aí a gente voltou a namorar de novo. Fomos nos casar em 81 e tivemos três filhos

Nutrir e Valor Compartilhado

O primeiro projeto que nós desenvolvemos, foi “Abobrinha sim, por que não?”. Esse foi o nosso primeiro projeto também que nós desenvolvemos junto com a Nestlé, então o pessoal da prefeitura, do departamento de merenda, nos convidou pra participar desse projeto junto com a Nestlé. Primeiro nós fomos participar de um curso na Nestlé, então fui eu, uma auxiliar de enfermagem e uma merendeira da minha unidade. Nós fomos participar juntas do curso oferecido pela Nestlé junto com a prefeitura, aí nós fomos participar lá na Nestlé. Foi bem interessante porque teve a parte teórica, depois teve uma parte prática, que nós preparávamos os alimentos lá na cozinha experimental da Nestlé. Depois disso, nós íamos, desenvolvíamos o projeto, criávamos, né, o projeto, um projeto alimentar e desenvolvíamos junto da escola. E nós tínhamos uma nutricionista que acompanhava o nosso trabalho, uma nutricionista muito boa, que é a Denise. Minha função foi de sensibilizar o grupo da escola a participar, né, a querer fazer parte, a participar do projeto e de elaborar o projeto, então eu basicamente lancei a semente no grupo.

Pra nós é muito bom ter essa parceria com uma empresa, principalmente uma empresa como a Nestlé, que a gente sabe que dá um respaldo, que é uma empresa segura, que dá um apoio grande, que tem toda uma infraestrutura, que faz uma parceria de fato, né, com a gente. A partir do momento que as professoras, as merendeiras, os funcionários começaram a se envolver e a participar mais ativamente nas ações do projeto, nós percebemos que o projeto foi fluindo, né? E também o conhecimento com relação a esse processo alimentar, a importância desse processo foi acontecendo, as crianças foram descobrindo muitas coisas e foram se apropriando e foram gostando mais de experimentar. Foram querendo experimentar mais determinado alimento que antes elas não queriam experimentar, por exemplo, o chuchu, a abobrinha, a couve, né, que antes eles não queriam, diziam que não queriam comer e de repente começaram a querer pelo menos experimentar.

Eu acho que nós temos, normalmente independentemente da parceria com a Nestlé, ou independente da proposta do Projeto Nutrir, nós temos uma preocupação com alimentação, isso faz parte do nosso trabalho já há muito tempo, né? Eu sou diretora da unidade há 15 anos e há 15 anos nós temos essa preocupação.

Mas a proposta do Projeto Nutrir, ela vem ao encontro das nossas ideias, dos nossos sentimentos, das nossas preocupações. Então, assim, é como se de repente, nós temos determinadas ideias, nós temos determinada concepção, mas de repente a gente se depara com o Projeto Nutri, né, aparece aí a Nestlé com suporte, de repente com uma motivação maior que desencadeia, né, que de repente nos faz colocar isso no papel, né, de repente sistematizar. Eu acho que nós vivemos numa época que necessitamos de muita parceria, né, não dá pra ficarmos isolados, nós precisamos nos juntar aí, né?

Eu acho que essa parceria só traz benefício, né, pra todos os lados, é uma troca importante, eu acho que todo mundo ganha, todo mundo cresce. Para as nossas crianças é importante, pro nosso grupo de professores, de funcionários, é importante porque faz com que se tenha vontade, como eu disse, de sistematizar essa prática, de pôr no papel, de sistematizar esse trabalho, essa história. Enfim, eu acho que é uma parceria que tem que acontecer sempre, né, que não pode parar.

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